Nessa foto do Sr. Gyorgy Szendrodi temos a imagem do “Brasil Grande” dos tempos do regime de 64; da construção do enorme prédio sendo erguido para abrigar uma das muitas empresas públicas criadas pelo regime, passando pelas luminárias de mercúrio e terminando no outdoor da Ducal

O prédio projeto de Haroldo Cardoso de Souza e Rogério Marques de Oliveira é um dos marcos da arquitetura modernista na cidade, se integrando muito bem na “petit Brasília” que ocupa a região da Esplanada de Santo Antônio e adjacências. O prédio tem elementos bem sacados como o bloco em forma de piramide Maia, que abriga o Teatro Nelson Rodrigues, o aproveitamento das antigas fraldas do Morro de Santo Antônio,  o “core” central entre as duas lâminas abrigando todas as instalações como elevadores, escada de incêndio, DG’s de comunicação e energia, banheiros, copas e os chillers do sistema de água gelada. A portaria tem um interessante sistema de iluminação com favos de colmeia estilizados, certamente  relacionados ao banco de habitação. Os espelhos d’água, cortados por passarelas refrescam o pilotis do prédio, usado como área de convivência, e abrigam uma curiosa fauna com pintados, tartarugas e até mesmo uma garça residente no prédio. Por dentro a decoração seguia o brutalismo nas área comuns com concreto em chapisco envernizado, teto em lâminas metálicas e spots do tipo olho de peixe, que se perdeu pela venda dos andares e perda da unidade arquitetônica dos halls dos elevadores. O prédio ainda conta com dois murais, um em concreto de Carybé e um com o uso de grandes blocos de pedra, na empena cega do teatro feito por Pedro Correio de Araújo Filho, que teve seus elementos todos fixados por grandes parafusos em aço inox, uma novidade para a época,  alem e uma grande árvore estilizada no lobby e de um vitrô em blocos de tijolos de vidro coloridos. Conta ainda o prédio além do teatro com um enorme auditório em sua sobre-loja.

Mas com o fim do banco o prédio passou anos desocupado, esperando a liquidação judicial de um dos mais ambiciosos projetos do Brasil Grande, que tal como o Minha Casa Minha Vida, dos governos petistas (regimes muito parecidos em suas essências) errou no foco, da parcela da população a ser contemplada aos parceiros para a empreitada. Onde sofreu uma breve decadência, demonstrada pelos lagos secos e a servidão de passagem entre a Av. República do Paraguai e Rua do Senado tornada local perigoso. Em 1985 o governo da “nova república” tentou vender o prédio inteiro, de “porteira fechada” tendo sido este leilão um retumbante fracasso.

Depois de se analisar resolveu-se vender o prédio por andares, com as alas ( norte e sul) também podendo ser desmembradas. Em uns 3 leilões o governo  conseguiu seu objetivo e o prédio foi totalmente vendido, transformando-se  no Centro Empresarial Castelo Branco, o general que criou o BNH e o qual seu busto, no pilotis do prédio sobreviveu a quebra do banco, o ocaso do seu regime, a venda do prédio e vem resistindo aos revisionismos dos atuais tempos politicamente corretos.

Inúmeras modernizações foram feitas para manter o prédio atrativo como um centro corporativo, como a complementação do sistema de combate a incêndio (o prédio em 1968 foi projetado com o primeiro sistema de sprinklers do Brasil) com alarme centralizado e sistema de detecção de fumaça, com a troca dos elevadores pelos Atlas Schindler Miconic e a criação de um sistema de reuso da água e captação da chuva, sistema de geradores, automação do controle de entrada, monitoramento por CFTV etc… Na fachada que vemos na foto, talvez sua maior transformação, a construção de uma nova escada de incêndio externa, que na realidade é externa apenas por ser independente da estrutura do prédio, pois é totalmente fechada e com pressão positiva, que eliminou a reentrância que havia entre as lâminas nesta fachada virada para a Av. República do Paraguai.

Apesar de todas as atualizações o predio ainda perde muito calor pelos seus vidros antigos e por suas esquadrias de alumínio ( hoje com todas as janelas lacradas) que certamente serão o novo capítulo da modernização do edifício.

 

Foto do Sr. Gyorgy Szendrodi