Nossa foto de hoje de autoria de Ruy Lopes mostra a região do Lardo da Carioca em plena transformação pelas obras do metrô bem como pela efetivação do PA da Av. Nilo Peçanha que mais de 30 anos após ser criado enfim, com a construção do Ed. De Paoli era efetivado. Para isso um quarteirão da Rua São José desapareceu, bem como o próprio trecho da rua, engolido pela Praça Estado da Guanabara que vemos na parte inferior da foto, junto ao Ed. Av. Central, somente os 4 oitis, plantados 70  anos antes na Ad. Passos, indicavam os limites dos sobrados da velha rua bem como da sua esquina com o Largo da Carioca. Curiosamente a Fonte do Amor a Lira, embora já instalada na praça, não aparece na foto, o que indica que ela ficava em local diverso do de hoje.

No meio do que era o antigo largo, já com sua perspectiva totalmente perdida pela demolição de todos os imóveis que lhe circundavam, resta o relógio, que está ali, com seu pedestal fincado desde 1919, quando substituiu uma “empadeira”, que até hoje os apaixonados sobre o Rio Antigo não descobriram o que tinha dentro. Havia muita polêmica se o velho relógio havia sido retirado ou não durante as obras do metrô, e essa foto resolve o dilema, permaneceu dentro do canteiro de obras, isolado por uma cerca. Então para os que lá hoje passam e querem saber o real tamanho do Largo da Carioca de Passos, visualizem que o relógio ficava exatamente no meio.

Vemos que o velho prédio da A Exposição, que acabou virando a matriz depois da destruição da sede , por onde hoje passa a moderna Av. Nilo Peçanha, ainda nos anos 50 por abrasador incêndio também já tinha sido demolido e já subia um dos enormes edifícios que tiram a escala humana do Largo pós metrô.

Metrô este que ainda estava em obras num dos seus trechos mais problemáticos, o da antiga Vala, que junto com o do da Rua do Catete deu muito trabalho na construção das paredes diafragmas por cruzarem com antigas regiões pantanosas, uma mangal de escoamento de sistema lagunar e outro braço de rio. Podemos ver com detalhes o teto da galeria, ainda em construção, como os contornos das paredes diafragmas que se alargam para formar a estação, inclusive parece que o atual acesso “convento” já estava pronto, indicando que a estação já estava praticamente concluída. Vemos inclusive os respiradores prontos ao lado do acesso, embora do outro lado onde hoje temos outro respirador, esse na forma circular, havia um grande buraco.

Entre os terrenos restantes dos prédios do Correio da Manhã e o Ed, Carioca, vemos um dos acessos ao Convento de Santo Antônio, hoje totalmente modificado desde as prospecções arqueológicas dos aos que revelaram não só restos da fachada do velho hospital da Ordem Terceira como por de trás um antigo pátio e amuradas.

A Rua da Carioca com uma arborização bem mais intensa que hoje certamente ainda fervilhava com um comércio pujante, ao contrário da triste decadência de hoje, até a Rua Ramalho Urtigão tem seus prédios bem cuidados.

Ao fundo parece que o conjunto do Cinema Ideal ainda estava íntegro, não tendo sido demolido a toa o prédio ao lado, que compartilhava a fachada e formava um conjunto arquitetônico homogêneo para uma nunca concretizada passagem da Av. Norte-Sul, vemos também os telhados do Cinema São José. O curioso é que parece que a cúpula metálica creditada a Gustav Eiffel estava encoberta por um telhado no antigo prédio do Cine Ideal.

O feioso prédio que acaba de vez com a escala da Praça Tiradentes ainda não tinha sido construído, sendo de prédio alto apenas o natimorto Hotel Tiradentes, construído no lugar do Cine Paris.

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