Ontem o Adm. Desconhecido publicou uma foto de um prédio que passa desapercebido por muitos na Av. Erasmo Braga: http://fotolog.terra.com.br/sdorio:2463

Complemento então o post do colega, com duas imagens uma de altissima qualidade e outra de baixa definição, infelizmente.

O prédio em estilo neo-gótico, possivelmente foi um dos primeiros a ser construídos na Esplanada do Castelo, na antiga Rua  VII, de fronte para os restos da Ladeira do Castelo e da Rua do Cotovelo, como já mostramos por aqui: http://www.rioquepassou.com.br/2009/04/29/pegadinha-7/ e http://www.rioquepassou.com.br/2011/01/07/av-erasmo-braga-restos-do-castelo/

De autoria do arquiteto José Amaral Neddermeyer, ganhador do concurso realizado pela Sociedade em 1931, o prédio é de estilo neo-gótico, mas claramente influenciado pelo Art-Déco, bem ao gosto de prédios que subiam nos EUA no mesmo período.

O embasamento em granito negro, possui elementos que até hoje estão muito bem conservados, embora não mais funcionais como as duas grandes luminárias, que fazem conjunto com as que se encontram no hall do prédio, que tinham a função de iluminar não só o portão, mas também o distico fundido em bronze que abrigava símbolos como podemos ver pelos dizeres da época:

Na parte mais alta há um emblema que fica iluminado á noite e póde ser visto de longe. Mais abaixo vê-se um livro aberto, representando os dez mandamentos. Vem depois o sinete, cuja forma redonda representa o globo terrestre; a Bíblia aberta que se vê no meio traz os dizeres: “Examinae as Escripturas”: a lâmpada significa que este livro é a luz do mundo. Vê-se depois os quatro symbolos escolhidos da arte religiosa histórica, que são, da esquerda para a direita: 1°) um homem com a Bíblia aberta na mão, representando o Apostolo São Matheus, 2°) um leão representando o Apóstolo São Marcos, 3°) um touro, representando o Apostolo São Lucas e 4°) uma águia, representando o Apostolo São João,

O prédio também possuia um coroamento com interessantes simbolismos, inclusive alguns detalhes que remetem a maçonaria, como os 4 obeliscos que ladeavam sua torre, e o grande livro aberto, também na sua torre.

Com 8 pavimentos ele seguia o primitivo gabarito da região e é até hoje um dos prédios mais baixos da esplanada, em que pese as modificações em seu coroamento, que acrescentaram mais um andar e acabaram com escalonamento da fachada, embora alguns detalhes podem ser observados até hoje, como pequenas gárgulas que existem junto ao friso da torre, até hoje existentes.

A foto ainda nos brinda com um caco do Morro do Castelo na direita, bem como uma noção da precária infra-estrutura das vias logo após abertas como o poste de ilumição pública com luminária econolite e o PC de luz na direita da foto, com os fios vindo da Rua de São José.

Ao fundo vemos os barracões e armazens da Rua de Santa Luzia e o que parece ser o prédio que fiava na esquina de Pres. Wilson com Av. Pres. Antônio Carlos, na Praça Estados Unidos, demolido nos anos 70.